domingo, janeiro 02, 2011
Olhos castanhos rasgados
segunda-feira, novembro 08, 2010
Olha
Vivo na cegueira porque enxergo demais. Vivo com os olhos porque aprendi a sincronizar com o coração. Mas que fim de mundo, olhar desse jeito. Os olhos não foram feitos para sentir. Por que olhar para o olho que, muitas vezes, não olha pra nada? Olhos sedutores, olhos gulosos, olhos mesquinhos. Não quero viver do olho, não quero. Me ensina a ver com os olhos fechados - ou me ensina a amar, acima de tudo, de olhos bem abertos.
quinta-feira, outubro 21, 2010
Saudade
sábado, junho 12, 2010
Amante
segunda-feira, abril 19, 2010
Coisas
sexta-feira, abril 16, 2010
quarta-feira, março 24, 2010
Tristeza
Você tem um instante pra mim?
segunda-feira, março 22, 2010
Voltar
sexta-feira, junho 06, 2008
insegura
sexta-feira, maio 23, 2008
não perder
Na verdade eu adoro me sentir assim, sim. Eu gosto, eu quero isso. Eu não consigo me enxergar bem e plena de outra maneira. Eu não posso simplesmente conhecer, eu preciso amar, amar, amar cada pedaço, cada suspiro, cada gesto, cada sussurro fraquinho de uma hipótese que eu mesma crio. Sim, eu preciso acreditar, acreditar nas coisas que eu invento, compreende?
Porque expectativas, expectativas são como um veneno, tomam-lhe o corpo inteiro pra depois matar aos pouquinhos. Tão cruel, tão cruel. Tão cruel que eu me envenene dessa forma - e como uma dependente quimíca, procure em cada canto, cada rosto, cada olhar um novo motivo para me envenar novamente.
Me dói, e não preciso mentir, falar de amor como veneno. Me machuca, parece errado, não sei. Mas que outra palavra eu daria? Que outro nome chamaria sem trair tudo aquilo que eu sei que sinto, que eu sei que acontece e que eu sei que luto pra esconder? Sinto o coração pulsando alto e, como se bastasse pra enganar minha razão, encolho rápida os braços pra abafar aquilo que não posso controlar. É coisa de momento - já tentei me auto-argumentar. Mas que diabo de momento é esse que nunca acabou? Quando ele começou? - já nem lembro mais.
Que outra coisa seria, se assim, sem nomear, eu dissesse que me esfria o estômago, me tira a fome, deixa meus pés gelados, minha mãos trêmulas? Suo fácil, não consigo me concentrar, não consigo me conter, rompo em lágrimas. Me detesto em frente ao espelho, passo o dia esperando o barulho romper o silêncio e me roubar um sorriso. Mas um barulho só, só um, só aquele, só o dele.
Então não escuto, e o silêncio me traga feito uma maré. Fico triste, fico feia, fico perdida. De tão confusa quero sumir do mundo, passar uma temporada entre nada. Nada e mais nada. Não quero que me toquem, que falem comigo, que me perguntem qual o problema. Não, não quero nada. Fico amarga, fico cinza, vejo tragédia e afronta em tudo que ousa sorrir pra mim. Silêncio vil, silêncio egoísta, me fecho em meus problemas, em minhas esperanças falidas, em minhas doces mentiras que resolveram não se concretizar.
Aí sim, depois do veneno, a injeção letal de realidade. Sim, porque só ela pode fazer frente à essa insanidade que é se apaixonar - ainda mais por qualquer coisa. Cada gota dói na alma, na minha alma. É como se jogassem todos meus sonho pela janela, um por um. E eu que achava que eles pudessem voar - não, eles caem em baques surdos no chão, estilhaçados. Sim, porque eu tenho essa horrível mania de me condicionar em alguém. De escolher um par de braços pra daí atirar todas as minhas expectativas ali. Sou capaz de mudar todo o plano de vida anterior, só pra me adequar. Tão resignada, não sem rumo, tão suplicante.
Me envergonho, sim, me envergonho. Não é fácil admitir, nem me escrever que é assim que eu funciono. Mal juntei meus cacos já estou os atirando nas mãos de outro alguém. Não sei se julgo como covardia, se é desvio de caráter, se é fraqueza crônica, mas não sei viver sem estar amando alguém ou alguma coisa. Me sinto incompleta. Se não amo, sou vazia.
E esse amar é sofrido, é dolorido, me custa, me desgasta, me deixa assim - desse jeito - escrevendo aquilo que mal sei explicar. E não é a primeira vez, Deus sabe que não é. O que me mata é essa hipótese, essa vontade inexplicável de me escorar naqueles braços, como se eles fossem a resposta para todos os meus medos e os meus problemas. É que me assusta quando acho algo bom demais. Já perdi uma vez, perdi e me doeu muito. Perdi um pedaço inteiro de mim. E eu não quero perder de novo, por Deus, não quero. Então me atropelo nas atitudes, nos gestos - pura impaciência de querer viver tudo num dia só. E o pensamento insistente de que "e aí, vou estar aqui no dia seguinte?".
Se vou, não sei, ninguém sabe. E o medo não é de, de repente, sumir, mas é de perder de viver algo que eu sei que me valeria muito a pena.
Eu não quero perder. Não me deixe perder. Por favor, não me deixe perder.
segunda-feira, maio 12, 2008
bom dia
pode dizer que é caso de orgulho, pode dizer que "sim, você estava certa, você é má". diga o que diga, nada vai me tirar essa pontada de vácuo que, pra mim, significa que a diferença de me importar tanto assim é diretamente proporcional àquela indifirença de segunda-feira. e sabe do que mais? ontem nem era segunda-feira, semana passada não era segunda-feira e a retrasada também. amanhã não vai ser segunda-feira e tudo vai permanecer como estava e como está: indiferente.
e isso me faz sentir ódio de mim mesma, ódio da situação e ódio de estar aqui reclamando disso. eu comigo mesma brigando com quem, eu sei, não vai sequer passar os olhos por isso aqui.
custa mostrar um pouco de compaixão, ahn? é tão difícil assim?
maldito destino de nascer desse jeito, amante sofredora do coração mole.
o raio que o parta.
quinta-feira, maio 01, 2008
mau
[Má por julgar. Má por injevar. Má por ser tão humana, tão cheia de carne, tão suja de sangue. Me falta a clareza do divino, a leveza da alma transparente e a bondade de um sorriso sincero.]
sábado, abril 05, 2008
sem título
(A questão é que não consigo tirar das minhas idéias a impressão de que tudo é um fardo. Um fardo amargo de carência e saudade cinza. Os pensamentos mais vis e simples - são pura indefinição do que eu penso do que você pensa. Não sei o que te dizer, não sei o que te fazer, são sei como lidar. Estou esperando o telefone tocar, a televisão ligar, teu amor me sorrir. Sofro por ansiar, por querer me resolver, por querer te resolver. Não canso de dizer que me sinto fraca, as mãozinhas finas, os olhos fundos, as pernas frágeis. Ando como se ninguém me visse, sorrio por te querer sorrindo e canto porque acho que me escuta. Teorias bobas, tempo que se arrasta, sensação de liberdade assistida. Me escrevo e ponto final. Imagino que um dia você lerá tudo isso daqui, não entenderá uma frase sequer, mas saberá que todos os versos são pra você.)
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
odiar
De onde a raiva vem, não sei dizer, mas os motivos poderia muito bem enumerar. Faz tempo que entendi que o ódio é um tipo de amor. Um amor que esqueceu de ser bom. Um amor mesquinho, egoísta, auto-destrutivo e, pior, rancoroso. Guarda tanta mágoa.
Guardo mágoa do que não fiz, do que não me fizeram e de, talvez, do que não vão fazer. É um ódio acorvadado, não quer arranjar briga com ninguém. Raiva contida, ranger de dentes, ansiedade - seja lá como o chamam por aí. E isso me perturba, me deixa irritada, me corrói por dentro. Sou capaz de armar infinitas respostas de supostas brigas que nunca vou travar. É puro egoísmo odioso.
Nunca me dediquei a escrever sobre o ódio, quase não vim. Não sei, me soa sujo, sempre falo sobre amor. Mas aí que tá, ódio também o é - e eu já me disse. E por mais que eu ache certo, sentimento como qualquer outro, ainda me soa sujo. Talvez apague tudo isso antes de publicar.
Não sei como vou vencer o ódio de hoje. Por vezes acabo usando açúcar, literalmente, ingênua. Outras vezes alguém me ganha - o ódio sempre perde fácil, mas também sempre volta. Insistente. Então não sei, não sei de nada. Estou chata demais pra mim, corrosiva demais pra escrever e confusa em excesso pra me explicar. Resumindo: estou eu e me odiando.
Amar é ingrato.
domingo, janeiro 13, 2008
egoísta
A estranheza de perceber que alguém se deu conta do que me faz sucumbir por dentro me assusta. Não sei lidar com isso, não sei lidar com carinho, muito menos com amor. Amor dos outros. Me dilapidei de certa forma que sou capaz de sublimar, quase tocar, o mais perfeito dos sentimentos, as menores sutilezas dos meus sentimentos. E aí que está, não sei lidar quando vem de fora, quando as sensações vêm de fora, quando não vêm de mim. Fico perdida, não sei como agir. Me desarmam e não sei o que fazer. O tempo inteiro me exercitei pra parecer uma muralha. Não gosto de demonstrar o que sinto, não gosto de chorar na frente de alguém, odeio demonstrar fraqueza. É lógico que sei que isso é simplesmente ridículo, ninguém me cobra isso, seria até um disparate. Mas eu me cobro isso, eu. Sou capaz de ser minha própria carrasca - eu me meto medo.
Agora, pensando assim, chego a conclusão que sempre cheguei: sou uma egoísta. Tudo que sinto é de eu para mim. Todos os meus problemas me giram em torno. Tudo não chega a ultrapassar as pedras da muralha que tanto quis construir. E pronto. Tanto anos que já se seguiram, pedra por pedra, sei que qualquer mínima pertubação pode botar tudo abaixo. É assim que me sinto quando alguém me nota. Sinto os muros virem abaixo e deixarem em plena exposição meu eu frágil, franzino, cheio de dúvidas e hesitações. Pra mim soa como pecado.
Sei como é díficil, se sei, responder a questões tão simples como "o que você tem?". Não sei o que tenho, nem o que não tenho, tudo me pesa na mesma balança. E enquanto penso no que me falta ou não falta, sinto os pedregulhos rolarem rápidos da muralha, despedançando em vários pontos. "O que você tem?". Tenho vontade de responder que não tenho nada, mas que também tenho tudo, e isso faz de mim uma enorme descontente - descontente egoísta. Mas admitir uma coisa dessas realmente me faria sofrer, me deixaria à mercê daquele eu fraco que quero esconder. Então eu disfarço, não minto, mas escondo. Mentir seria vil demais, minto só se for pra não deixar que sofram por minhas preocupações, como sempre, egoístas. Só devolvo a pergunta, rápida, me achando a mais esperta das criaturas "Por quê? Pareço ter alguma coisa?". Deus sabe que esperteza demais é burrice. E eu sei, que essa minha malandragem não passa de faixada, faixada tão delicada, de alguém que se destrói por dentro.
Tenho medo de estar enlouquecendo. Não minto, tenho mesmo. Às vezes não me reconheço no espelho, às vezes não me reconheço nas mãos, nos pés, em nada. Parece que não sou eu, nem fui eu, fui só alguma coisa que inventei. Alguma coisa que não consigo controlar direito, que me escapa de vez em quando e que faz perceber, em teses egoístas de verbos em primeira pessoa, o quanto não me acho, não me entendo e me condeno. Porque viver sempre é tão difícil. Me dói viver, sei que me dói, mas não vejo outra forma para ser feliz.
quarta-feira, setembro 19, 2007
Não me entenda mal, meu amor, não. Não te culpo, não me culpo, nem culpo a vida. Não quero amaldiçoar ninguém, não. Não estou reclamando também. Não. Só queria um tanto de compreensão. Um tanto de maturidade, de dignidade, de respeito, de certeza. Não sei dizer, não sei explicar, mas sinto que me falta a força da fé cega, surda e muda. Me falta, sim, me falta, a força da devoção, do amor incondicional, da experiência da vida. E queria tanto descobrir como tocá-la, como fazer, me fazer, ser melhor. Dói, dói sim, ver ainda está tudo longe do meu alcance. Outras coisas me vêm, me tomam, me levam pra longe, me distraem. Outros sentimentos, outras notas da melodia. Mas (disso nunca duvidei nem vou duvidar) se minha música ainda toca, se cada dia descubro acordes diferentes, é porque tenho seu compasso ritmando minha vida. E isso me faz bem, me faz ir pra frente, viver tudo de novo, tentar de novo. Não sei agradecer, não sei provar - e nem quero. Não quero dizer pra ninguém o quanto te amo, não preciso disso. Eu sei disso, meu amor. Eu sei. Também não preciso ir muito longe, nem pensar demais, pra ver que o seu lugar, o seu lugar aqui, comigo, nunca será ocupado. Mas não é porque está vazio, mas porque está cheio, cheio de você.
Realmente me parece superficial desfilar linhas e mais linhas de algo que soa como desabafo. Me parece uma confusão, uma confusão de letras num desabafo sincero. Desabafo. Por um instante, confesso, despercebi a dimensão dos fatos, deixei que passassem ligeiros, empurrei a verdade com as mãos - tirei das vistas, pensando em enxergar lá, longe. E longe longe, longe que não existe, porque distância nunca teve. Então eu não empurrei pra lugar nenhum, nem sequer mexi, só estava lá, turvada, embaçada, miragem de lucidez. Não me vejo como dissumulada, nem displicente, nem coisa qualquer. Não sei que adjetivo usar, não sei nem que verbo pôr. E isso me assusta. Ponta de culpa? Talvez. Não sei até onde posso ir, não sei se posso voltar ou virar numa nova esquina. Eu tenho medo de errar com os outros, medo de perder, medo de pensar, medo de dizer, medo de não tentar. Então tento, fujo, choro, me perco. Queria saber as respostas, queria saber cuidar do que é importante, dos que são importantes, do que realmente vale a pena. Será que minhas mãozinhas são dignas de tamanho amor? Será, meu amor, será que minha alma é grande o suficiente pra que me espere? Será que fui capaz de te dizer tudo que deveria, todo amor que eu tinha e todo carinho que te queira?
Vida, vida, vida. Que vida é essa que pune tanto? Que magoa tanto? Que machuca tanto? Tenho pena, e pena é um sentimento vil, quero me desfazer dela. Ninguém precisa de penar, de lamentar, de desdizer - mas de estender o olhar, isso sim, de ajudar, de se mexer, de reinventar. Já faz tanto por mim, meu amor, tanto. Agora venho humilhada, pequena, ignorante dos sentidos de Deus, te pedir, mais uma vez, uma força que não se tem - porque não se dá, e porque eu não sou capaz de ter. Deposito minha esperança em você, porque, meu amor, porque minha vida só tem um sentido - sentido de amar. E eu sei que não preciso de outro caminho senão este. E não preciso de mais nada pra me bastar, as respostas estarão todas ali. Aí, aí, aí você me entra como o chão mais sólido desse meu caminho. Como o pilar mais resistente dessa grande construção que é a vida. Um dia, um dia, eu sei, minha construção vai ruir, como a de todos vão. Mas esse pilar vai ficar, ficar pra sempre - indestrutível.
Me impeço (e nem vejo razão) de me entristecer por aquilo que aconteceu, pelas lembranças enuveadas - nuvens, nuvens de sonhos. Não, não consigo lamentar, somente sorrir. Não me refiro em tons sóbrios, não me evito, não me contenho, porque alguma coisa, alguma coisa bem aqui, me sopra que o melhor a se fazer é viver. Viver mesmo que seja complicado, viver mesmo que seja sofrido - mas persistir, sim, persistir, porque estamos aqui pra construir, e não desmoronar o que um dia já foi feliz. E ainda é feliz, é, sim, tenho meu caminho pra seguir, minha certeza pra usar como escudo, teu amor pra me proteger de todos os perigos. Minha vida, meu amor, minha vida pra seguir e (me permito sonhar) espalhar esse sentimento imenso nessa realidade crua de existir.
quarta-feira, maio 09, 2007
vidar
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
te am
Te amo tanto, escuta - eu pediria – te amo. Cada pequeno momento, cada pequeno suspiro de hesitação, é uma onda de felicidade que eu sinto. Nunca me senti assim, meu bem, nunca! Como posso te fazer entender algo que eu mal entendo? Não me culpe, meu bem, não. Nunca me senti assim, é novo pra mim. Não sei explicar. É como se um dia alguém, de repente, me pegasse pelas mãos e me ensinasse a andar e a fascinação é tanta que não consigo contar meus passos. Eu te amo porque esse teu amar me faz andar. Porque quando eu estou assim, do teu lado, não preciso contar meus passos, nem minhas palavras, nem meus “poréns” tão desgastados: confio em cada movimento teu. Com você eu sou eu, sem vírgulas, sem adjetivos, só eu, entende? Você me mostrou, meu bem – aqui entraria uma pausa, uma pequena pausa pra respirar – que quando a gente perde um coração, alguém pode te dar outro. Um outro até melhor, melhor! Você me deu o que eu achei que nunca mais teria. Como pode alguém fazer tão bem pra outra? Como pode alguém amar e não saber dizer, me diz, como? Logo eu, eu que iria tão longe por você. Que desenharia os lugares mais bonitos, inventaria as histórias mais bobas só pra te ver rir. Eu, que cuidaria de cada detalhe, até dos mínimos, pra fazer dos teus dias os mais perfeitos. Eu, que decorei cada gesto teu pra repassar todo dia antes de dormir – pra me lembrar do tanto que eu te amo, do tanto que eu sinto e pra não esquecer de te mostrar, te mostrar tudo isso.”
Mas a noite estava fechada. As estrelas eram gotas de chuva. A brisa era fria e o ar, úmido. As palavras vinham e sumiam antes mesmo de serem entendidas. Ela queria dizer, mas os lábios não se abriam. Era como se tudo já tivesse sido dito. Seus olhos se enchiam de hesitações e coisas não-ditas, piscavam dissimulados. O chão lhe faltava, nem isto para ela desviar o olhar, nem isto. Não sabia se estava nervosa, feliz, ofegante, tudo se confundia – então calava.
As mãos se fechavam calmas em torno das mãos dele, o coração pulsando forte, podia sentir em cada parte do seu corpo. E a pergunta não era “o que foi”, mas “por que não diz”. Porque não consigo dizer, por quê? Por que não diz, por que não diz – sem ritmo, sem frases bonitas, sem suspiros e bochechas vermelhas. “Será que eu estraguei tudo?” – se perguntava mexendo os pés pra frente e pra trás num movimento infantil.
Então ele a encarou. Os mesmos olhos escuros sutis brilhando sem a meia-luz da lua, os mesmos. E ela ali, sem ação, sem ação! Piscando rápido, vendo todo aquele discurso desfilar sem poder alcançar. Tentava inventar, gritar, desviar qualquer atenção, mas a única coisa que insistia em sair eram suspiros rudes. Eu – conseguiu finalmente – eu... – calou – Olha...eu... – piscava rápido e, surpresa, viu os olhos dele fazerem os mesmo. Ela sorriu sem graça, ele parecia entender quando ela estava num impasse e a fazia rir quebrando qualquer mal-entendido.
Oh...eu... – tentou de novo, mas não continuou quando percebeu que tinha soado horrível. E ele lá, olhando, olhando, desconsertando-a de êxtase e nervosismo. Eu...te am – mal terminou sentindo os braços dele envolta dos seus numa mistura de prazer e alívio.
O tempo parou. As gotas se calaram. As estrelas não vieram, mas ouvir “eu sei, eu também, minha linda” dos lábios dele – dos lábios dele! – fora a sensação mais doce da sua vida.
domingo, janeiro 28, 2007
ela e sua janela
Não me culpe pela hostilidade do que vive - chovendo, chovendo, chovendo. Posso criar também. Posso lembrar e reviver. Posso apagar essas gotas assim, oh, assim - remoia-se de ódio. Daí, coisinhas, quem vai dizer que não houve medo, quem? Quem vai dizer que tenho medo de viver ou de me atirar no que sinto, quem? - via-se cheia de cólera encolhendo-se em volta - o mundo anda pequeno pra mim.
A janela clara lhe desafiava. Tão escura, escura por dentro. Era como uma sombra andando pela casa. Um poço de hesitações e coisas pra fazer. Um buraco que sugava as vontades e os sentimentos de quem amava. Baixa e perversa - assim que funcionava. E a janela. Ah, aquela janela - clara e brilhante.
Estúpida! - gritava sem mexer os lábios - estúpida! Faz luz pra quem não merece. Posa de boa pra quem nem liga. Você é um buraco bem sucedido, não vê? Um buraco! Bonito brilhar assim? É a mais dissimulada das coisas. Vendo por dentro e por fora, por dentro e por fora! Que alegria você tem nisso, hein? Que alegria? Mistério, meu bem, mistério é o que eu tenho - fingia rir.
E a janela ali, impassível. A chuva parava e o sol vinha fazer brilhar as pequenas gotas do vidro.
Então é essa sua respostas? - cerrava os punhos com força - então é essa sua resposta? - as lágrimas escorriam quentes pela face enrrugada pela raiva. Eu tentei, eu tentei - redimia-se - eu tentei ser melhor, eu tentei fazer feliz. Mas não posso mudar aquilo que vem de dentro de mim. Essa mancha escura que mora aqui, aqui - batia forte contra o peito - você não sabe o que é sofrer, não sabe o que é sentir, muito menos amar! Você não sabe, não sabe... - soluçava se encolhendo .
Tinha acabado de brigar com a janela - e perdido.
segunda-feira, outubro 16, 2006
quis me salvar em voce. quis te querer. quis chorar - e chorei. quis voltar, mas jah tinha ido longe demais.